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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012


Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.


-Canto II de "Os dez chamamentos aos amigos"

Que bom que existem os poemas...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Porque te penso...

 Penso que tu mesmo cresces Quando te penso. E digo sem cerimonias
Que vives porque te penso.
Se acaso não te pensasse
Que fogo se avivaria não havendo lenha?
E se não houvesse boca
Por que o trigo cresceria?

Penso que o coração
Tem alimento na Idéia.

Teu alimento é uma serva
Que bem te serve à mão cheia.
Se tu dormes ela escreve
Acordes que te nomeiam.
Abre teus olhos, meu Deus,
Como de mim a tua fome.
Abre a tua boca. E grita este nome meu.

Hilda Hislt me embala nesta tarde de sexta

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu te pareço louca? 
Eu te pareço pura? 
Eu te pareço moça? 
Ou é mesmo verdade 
Que nunca me soubeste?


(Hilda Hilst, Júbilo, memória, noviciado da paixão)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Do desejo



Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura. 
Crueldade.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia da poesia




Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu
Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

sábado, 12 de março de 2011




Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível 
Porque de barro e palha tem sido esta viagem 
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado 
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem 
Hei de levar apenas a vertigem e a fé: 
Para teu corpo de luz, dois fardos breves. 
Deixarei palavras e cantigas. E movediças 
Embaçadas vias de Ilusão. 
Não cantei cotidianos. Só te cantei a ti 
Pássaro-Poesia 
E a paisagem limite: o fosso, o extremo 
A convulsão do Homem. 
Carrega-me contigo. 
No Amanhã. 

Esse foi presente =) Saudade presa no meu coração...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Da primavera de 2010

Moro em Belém -PA e aqui na minha cidade não costumamos muito perceber as mudanças das estações do ano. Em 2010 estive em Salvador - BA. Muitos caminhos me levaram até lá. Muitos caminhos me fizeram desistir de estar lá... com certeza fui muito feliz o tempo em que morei longe de casa. Apesar dos percalços dos caminhos e (des)caminhos; foi lá que eu (re)descobrir o Amavisse. 

Amavisse Ter um dia amado... (Hilda Hist)

Me encontrei e me perdi várias vezes naquela cidade, naquele turbilhão de pensamentos, sentimentos, sonhos, realizações e amor. Eis que surgiu a primavera. Em Salvador existe uma praça chamada 2 de julho (mais conhecida como Campo Grande); essa praça fica bem em frente ao teatro que eu trabalhava; e nessa praça existe umas árvores grandes que durante a primavera elas deixam cair sobre os transeuntes uma espécie de lã natural o que me dá a estranha sensação de estar nevando lã. Me encantei pela primavera.

Os acontecimentos desse período tiveram seu próprio ritmo. O início não foi doce, mas era só o início ainda teria uma estação inteira pela frente. Eis que com o tempo uma pessoa muito querida apareceu na primavera e me acompanhou até antes de chegar o verão. Essa pessoa me trouxe um presente enorme. Fez com que eu (re)descobrisse o prazer pela leitura. Sempre gostei de ler, não por acasso sou graduada em letras. Desde criança meus melhores presentes eram os livros, os de poemas em especial. Quando saio de casa sempre tenho um na bolsa, mas fazia um bom tempo que não dedicava uma tarde ou uma noite exclusivamente para a leitura.

Os dias da primavera foram passando e com o fim dessa estação terminaria também minha estadia em Salvador. Era uma mistura de grande sentimentos: saudade (dos que deixei e dos que iria deixar), medo (de chegar e de ir), Alegria (de voltar), tristeza (por partir), alegria (por partir), tristeza (por voltar)... se é que vocês conseguem entender. Eis que nesse turbilhão de novas sensações sou presenteada com um grande tesouro; um livro. HILDA HILST - DO DESEJO.

E foi com este livro que retomei o fascínio pelas letras. Um poema em especial me chama a atenção neste livro.

 O Canto 3 do Amavisse.






Hoje.Verão. Belém. Tempo chuvoso... volto-me para leitura dos poemas, contos, romances e cartas do tarot e volto também a vontade de escrever. Agora não mais específico. Agora só o que amo ou que um dia tive amado.